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Da teoria à prática

Linhas de orientação metodológicas e conceptuais & Guia Prático

Orientações concetuais e metodológicas: da teoria à prática na sala do jardim de infância.

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1 Princípios Teóricos Fundamentais

1.1 A infância como construtora de conhecimento

Diretrizes conceituais

O conceito de “Infância como Construtora de Conhecimento” reconhece as crianças como participantes ativas em seu processo de aprendizagem. Essa abordagem está alinhada com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CDC- Convention of Rights of the Child), que enfatiza o direito das crianças de se expressarem e participarem ativamente de suas experiências educacionais.

  • Participação ativa: As crianças devem ser vistas como indivíduos competentes, capazes de contribuir de forma significativa para sua aprendizagem e para a comunidade. Elas trazem suas perspectivas únicas, a sua criatividade e as suas ideias, que enriquecem o processo educativo.
  • Liberdade de Expressão e Autonomia: A Convenção sobre os Direitos da Criança destaca a importância de respeitar o direito das crianças de expressarem livremente suas opiniões em todos os assuntos que as afetam. Isso inclui a criação de ambientes educacionais que incentivem a autoexpressão, a exploração e a tomada de decisões.

Diretrizes Metodológicas

Para crianças de 3 a 6 anos, os seguintes métodos podem ajudar a criar um ambiente onde elas possam construir conhecimento de forma eficaz:

  • Aprendizagem centrada na criança: As atividades educativas devem ser concebidas de acordo com os interesses e estágios de desenvolvimento das crianças. Isso estimula a curiosidade e a motivação intrínseca.
  • Aprendizagem baseada em brincadeiras: Brincar é um aspecto fundamental do desenvolvimento na primeira infância. Através da brincadeira, as crianças exploram, experimentam e compreendem o mundo ao seu redor.
  • Apoio pedagógico: Professores e cuidadores devem fornecer o suporte necessário que ajude as crianças a construir conhecimento com base no que elas já sabem, guiando-as em direção a novas compreensões.
  • Aprendizagem Colaborativa: As atividades em grupo promovem habilidades sociais e a partilha de conhecimento, permitindo que as crianças aprendam umas com as outras. Isso também significa que a inclusão está no centro da aprendizagem colaborativa.
  • Diálogo Filosófico: A didática da Comunidade de Investigação, estruturada de forma a ser adequada para crianças de 3 a 6 anos, deverá enquadrar intervenções didáticas que promovam o papel das crianças como construtoras do conhecimento (por exemplo, incentivando o uso de suas perguntas).

1.2 O papel das tecnologias digitais e das competências transversais na EPI (educação da primeira infância)

Diretrizes conceituais

A incorporação de tecnologias digitais na educação infantil envolve o equilíbrio entre a aquisição de habilidades digitais e o desenvolvimento de habilidades críticas, metacognitivas e sociais.

  • Alfabetização digital: As crianças devem familiarizar-se com as funções básicas e os usos potenciais das tecnologias digitais. Isso inclui compreender tanto os benefícios quanto os riscos associados às ferramentas digitais. Embora o uso da tecnologia digital não seja obrigatório, é importante adotar uma postura crítica em relação a isso e é crucial fazer referência a esse tema para que as crianças possam aplicar ferramentas de pensamento crítico ao lidar com a tecnologia digital.
  • Habilidades transversais: O pensamento crítico (habilidades metacognitivas), a resolução de problemas e a interação social são essenciais para lidar com as complexidades do mundo digital. Todos os formatos de reflexão colaborativa fomentam essas habilidades, que, por sua vez, reforçam a reflexão colaborativa e a ação conjunta.

Diretrizes Metodológicas

As estratégias educacionais para atingir esses objetivos incluem:

  • Atividades de Aprendizagem Integradas: Crie atividades que combinem ferramentas digitais com métodos de aprendizagem tradicionais. Por exemplo, a narração interativa pode ser usada para combinar a escuta cuidada de histórias com animações digitais.
  • Exercícios de pensamento crítico: Incentive as crianças a questionar e pensar criticamente sobre o conteúdo digital, bem como a refletir sobre seus próprios processos de pensamento. Atividades simples, como comparar diferentes fontes de informação ou discutir a experiência de jogos digitais, podem ser eficazes.
  • Desenvolvimento de Habilidades Metacognitivas: Promover a autoconsciência nos processos de aprendizagem. Atividades que desenvolvem habilidades metacognitivas frequentemente incluem a reflexão sobre o que foi aprendido e como foi aprendido. Dessa forma, o processo de aprendizagem é amplificado. Por exemplo, os erros serão considerados uma oportunidade para uma melhor compreensão, em vez de serem apenas o foco da correção.
  • Uso seguro e responsável: ensine as crianças sobre o uso seguro das tecnologias digitais. Isso inclui compreender a privacidade, reconhecer conteúdo confiável e conhecer os limites de tempo de uso de telas digitais.
  • Diálogo Filosófico: Criar oportunidades para a investigação dialógica cooperativa sobre ferramentas e conteúdos digitais, enfatizando o questionamento e a prática de perguntar e justificar as próprias afirmações.

1.3 Sustentabilidade Ambiental e a Luta Contra as Mudanças Climáticas

Diretrizes conceituais

Promover a sustentabilidade ambiental na Educação Infantil exige uma mudança de paradigma, passando de atividades isoladas para uma abordagem holística em que a sustentabilidade esteja integrada às práticas quotidianas e às experiências de aprendizagem.

  • Sustentabilidade como Valor Fundamental: Integrar os princípios da sustentabilidade ambiental ao currículo, tornando-a parte essencial da experiência de aprendizagem, o que significa tomar consciência dos desafios das mudanças climáticas.
  • Conscientização precoce: Desde cedo, cultivar um senso de responsabilidade e conexão com o meio ambiente e a todos os seres vivos.

Diretrizes Metodológicas

Para promover a sustentabilidade nos jardins de infância, considere as seguintes estratégias:

  • Aprendizagem baseada na natureza: Incorpore atividades ao ar livre e interações com a natureza na rotina diária. Isso pode incluir jardinagem, caminhadas na natureza e observação da vida selvagem.
  • Práticas Sustentáveis: Demonstre e ensine práticas sustentáveis, como reciclagem, conservação de água e redução de resíduos. Envolva as crianças em atividades que demonstrem essas práticas na ação.
  • Aprendizagem Baseada em Projetos: Desenvolva projetos com foco em questões ambientais. Por exemplo, um projeto sobre reciclagem pode envolver a separação de resíduos, a compreensão dos processos de reciclagem e a criação de arte a partir de materiais reciclados.
  • Esforços colaborativos da comunidade: Estabelecer parcerias com organizações ambientais locais para proporcionar experiências práticas de aprendizagem e conectar as crianças com iniciativas comunitárias mais amplas de proteção ambiental.

1.4 Considerações finais

Estas diretrizes sublinham a importância de uma abordagem holística e centrada na criança na primeira infância. Reconhecendo que todas as crianças são construtores ativade conhecimento implica integrar competências digitais e transversais e incorporar a sustentabilidade no cerne de práticas educacionais para que deste modo sejamos capazes de preparar as crianças para o sucesso académico e para uma cidadania responsável num mundo complexo onde a inclusão deve ser uma parte da atitude contínua em relação ao mundo e aos outros.

A infância como construtora de conhecimento
Tecnologias digitais e competências transversais
Sustentabilidade ambiental

Prática holística centrada na criança

Os três princípios fundamentais convergem numa prática holística e centrada na criança.

Lembre-se de que as recomendações deste guia são objetivos ideais a serem alcançados e devem funcionar como metas finais que guiem o processo e podem não estar instaladas para uso imediato e podem também não ser alcançáveis em todos os contextos. Por exemplo, pode ser difícil estabelecer um diálogo com crianças que não têm hábitos de diálogo com adultos. Da mesma forma, a exploração da natureza funcionará de maneira diferente para crianças que vivem no campo e aquelas que vivem na cidade. Esses métodos alinham-se com a Convenção sobre os Direitos da Criança dando ênfase aos direitos e à autonomia das crianças, garantindo que elas cresçam em ambientes que respeitam e que melhor contribuem para todo o seu potencial.

2 Guia do Professor

2.1 atividades

A integração e incorporação dessas atividades em diversos eventos escolares e na prática educacional diária ampliam o impacto das aprendizagens. O seu impacto ajuda as crianças a desenvolverem uma postura crítica em relação ao uso de ferramentas digitais e tecnológicas, além de uma compreensão mais profunda de como essas ferramentas podem ser usadas para promover a consciência ambiental.

O projeto EACH tem como objetivo abordar três temas diferentes: competência digital, alterações climáticas e sustentabilidade e competências transversais.

O projeto propõe diversas maneiras de abordar estes três temas, adotando uma postura pedagógica centrada na criança, que fomenta atividades que trabalham competências transversais essenciais (habilidades metacognitivas, sociais e de pensamento crítico), ao mesmo tempo que promove a consciência ambiental.

O portfólio oferece diversas atividades que podem ser utilizadas e que podem inspirar outras atividades com a mesma abordagem pedagógica. Todas as excursões escolares e da pré-escola ao bairro, ao parque, ao supermercado, à aula de natação na piscina municipal ou a um museu podem integrar essas atividades. É importante sublinhar que fomentar uma perspectiva crítica sobre a transformação digital não exige necessariamente o uso de tecnologia digital em sala de aula. As nossas atividades oferecem métodos alternativos para escolas que preferem focar-se na conscientização ambiental e no pensamento crítico sem depender do uso de ferramentas digitais.

Jardins de infância, escolas e outras instituições de ensino frequentemente têm um foco temático ao longo do ano letivo ou em ocasiões específicas, sendo ideal conectar essas atividades a esse tema. Além disso, comemorações nacionais podem ser o assunto das atividades do portfólio ou podem servir de inspiração. A celebração de um evento histórico pode ser a fonte de reflexão sobre um tópico específico (por exemplo, a liberdade) e a ideia central que guiará uma atividade.

Tornando-o inclusivo

Nunca é suficiente destacar a importância da inclusão em ambientes educacionais. Os professores são os que melhor sabem como garantir a participação de todas as crianças, independentemente de sua capacidade de movimento ou capacidade verbal, assegurando que a variabilidade cognitiva ou os desafios linguísticos não impeçam a participação.

Assim, o desenho é uma ótima maneira de possibilitar a participação daqueles que não falam o idioma utilizado na escola, bem como da população em geral, e há sempre momentos que permitem que as pessoas se expressem no seu próprio idioma e que sejam traduzidas (ou que se grave para obter a tradução posteriormente). Da mesma forma, com a ajuda de especialistas encontre maneiras de incluir todas as crianças.

O objetivo não é apenas fazer com que esses indivíduos sintam que pertencem e que são capazes de participar das atividades – embora isso seja um bom indicador de que a inclusão foi alcançada. O objetivo mais importante é o reconhecimento de que toda comunidade é formada por indivíduos diferentes e que, quando a inclusão é um processo contínuo, a própria comunidade amplifica o pensamento e a aprendizagem por ser inclusiva.

O Portfólio incluirá lembretes da necessidade de inclusão e oferecerá recomendações específicas que podem ser facilmente transferidas para outras atividades do portfólio.

2.2 Utilização de metodologias pedagógicas

Materiais e planos de discussão do P4C

Certifique-se de estar devidamente capacitado nas metodologias específicas aplicadas e no apoio às atividades educativas. É importante lembrar que, ao utilizar os planos de discussão presentes ao longo do portfólio, eles foram concebidos para facilitar o diálogo e não para serem usados como um questionário com todas as perguntas respondidas. Caso tenha dúvidas sobre a aplicação de alguma prática, consulte um colega para que possam discutir e avaliar a abordagem em conjunto, além de utilizar as ferramentas de avaliação fornecidas neste projeto.

Ao facilitar uma discussão colaborativa em sala de aula (com a metodologia P4C ou outra metodologia pedagógica de pensamento reflexivo), o objetivo deve ser aumentar a conscientização sobre o tema e ajudar as crianças a refletirem mais profundamente. As atividades que desenvolvemos visam aumentar a conscientização sobre os desafios das mudanças climáticas e promover a sustentabilidade ambiental. Questões ambientais e sustentabilidade são a base de todas as atividades planejadas, garantindo que cada uma reforce esses temas importantes.

As perguntas dos planos de discussão são elaboradas para ajudar o facilitador a garantir que o foco esteja na procura de soluções para os desafios das mudanças climáticas. Evite dizer às crianças o que elas devem pensar e procure maneiras para que elas se ajudem mutuamente a responder às suas próprias perguntas e a desenvolver os comentários que surgem nos diálogos. Implemente estratégias de inclusão para garantir que todos façam parte da atividade e se sintam incluídos no diálogo. A duração do diálogo na atividade não precisa ser muito longa e deve envolver as crianças principalmente num ambiente de pensamento colaborativo.

Além disso, diálogos anteriores podem ser relembrados durante outras atividades em sala de aula para mostrar como o pensamento colaborativo reflexivo faz a diferença na prática. Ou seja, se realizar uma atividade na qual possa relembrar pertinentemente uma ideia ou conclusão a que as crianças chegaram em atividades e diálogos anteriores, poderá criar um novo momento de diálogo para mostrar que uma ideia de uma discussão anterior ajuda a tomar decisões perante uma nova atividade.

Os planos de discussão não devem ser usados de forma a forçar todas as perguntas disponíveis, e as perguntas utilizadas devem ser selecionadas para aprofundar a compreensão das questões ambientais; portanto, use apenas aquelas que lhe parecerem apropriadas e perspicazes, dependendo da forma como as crianças respondem às atividades propostas.

Solicitar justificação (da criança que faz um comentário ou de outras crianças para ajudar a criança que fez o comentário), incentivar a apresentação de exemplos para construir um chão comum, observar as consequências das opiniões e acompanhar o argumento, mostrando a linha lógica das ideias: são elementos que promovem o tom filosófico do diálogo. Além disso, encoraje a interação entre as próprias crianças e mostre a importância de compreender os outros, mesmo quando discordam das afirmações de outros.

A seção final, Guia para um Diálogo Centrado na Criança, fornece exemplos práticos concretos sobre como implementar intervenções que promovam o diálogo e a reflexão colaborativa.

Metodologia Montessori

Certifique-se de ter recebido formação adequada nas metodologias específicas aplicadas e utilizadas para apoiar as atividades educacionais.

Como o método Montessori envolve os interesses das crianças, todas as atividades propostas que incluam momentos práticos devem ser priorizadas para proporcionar autonomia e habilidades para a vida quotidiana, que poderão ser utilizadas para ampliar as atividades na educação infantil. Evite qualquer tipo de avaliação para permitir que as crianças estabeleçam seu próprio processo de aprendizagem individual. Sempre que possível, conecte as atividades do portfólio às práticas e rotinas existentes no ambiente educacional. Isso ajuda as crianças a vivenciarem a continuidade e fortalece o impacto das abordagens pedagógicas já estabelecidas.

Outras metodologias dialógicas e colaborativas

Certifique-se de ter recebido formação adequada nas metodologias específicas aplicadas e utilizadas para apoiar as atividades educacionais.

Embora as sessões de formação do projeto e a implementação nas escolas tenha sido guiada pela metodologia Montessori e pela metodologia dialógica P4C (Filosofia para Crianças), as atividades podem facilmente adotar outras metodologias dialógicas e colaborativas, e aqueles que receberem formação nessas outras metodologias saberão como melhor as adaptar quando necessário. Por exemplo, em Portugal, aqueles que utilizam o Movimento Escola Moderna (MEM) encontrarão atividades que se enquadram nas diretrizes pedagógicas do MEM.

2.3 Recursos

A amplitude de recursos é infinita, e esta lista visa ajudar as crianças do jardim de infância a se concentrarem, podendo ser facilmente ampliada à medida que as escolas introduzem a transformação digital.

  1. As perguntas das crianças. São recursos importantes para o uso e desenvolvimento de atividades em sala de aula, pois ajudam as escolas a transmitir importantes lições cognitivas, sociais e emocionais, garantindo, ao mesmo tempo, o significado do processo educativo para as próprias crianças.
  2. Livros, pinturas, esculturas e música. Os livros são frequentemente usados para promover atividades em jardins de infância, e trabalhos semelhantes podem ser estimulados por meio de outras expressões artísticas. Embora o uso da música, por exemplo, possa ser mais desafiador, também pode proporcionar aos professores de jardim de infância a oportunidade de se desafiarem e compartilharem essa experiência com as crianças.
  3. Sites da internet de vários tipos. Além do Google (por exemplo, Google Earth), YouTube e outras plataformas online, existem inúmeros sites que podem ser uma fonte de inspiração e conhecimento para atividades infantis.

2.4 Ferramentas digitais

A incorporação de ferramentas digitais na educação infantil pode abrir portas para a criatividade, a exploração e o pensamento crítico, desde que sejam utilizadas de forma consciente e com objetivos de aprendizagem claros. Ao contrário dos recursos tradicionais, que podemos considerar como fontes estáticas de informação, as ferramentas digitais são dinâmicas por natureza, permitindo interação, escolha e criatividade. Essa diferença fundamental deve ser destacada, ajudando as crianças a se tornarem usuárias conscientes da tecnologia, capazes de tomar decisões ponderadas sobre quais ferramentas são mais adequadas às suas necessidades de aprendizagem e criatividade.

O objetivo não é apenas familiarizar as crianças pequenas com habilidades digitais básicas, mas também desenvolver sua capacidade de pensar criticamente sobre a tecnologia digital. Por meio da experiência prática, as crianças podem aprender tanto a usar ferramentas digitais quanto a entender por que podem optar por usá-las ou não em diferentes contextos. Por exemplo, ao tirar fotos com uma câmera digital, as crianças adquirem habilidades práticas no uso da tecnologia, enquanto também refletem sobre o que torna uma imagem significativa, como uma câmera “vê” em comparação com seus próprios olhos e como as imagens digitais diferem de desenhos físicos ou fotografias analógicas.

Nessa abordagem, focamos em ferramentas digitais simples e acessíveis que permitem às crianças explorar sem sobrecarregá-las com complexidade. Aqui estão algumas das ferramentas e ideias para usá-las a fim de aprimorar tanto o aprendizado quanto a consciência crítica da tecnologia.

Ilustração de uma câmara fotográfica digital, um gravador de voz, uma impressora fotográfica portátil e um tablet numa mesa de jardim de infância
Quatro ferramentas simples e acessíveis que permitem às crianças explorar a tecnologia digital sem se sentirem sobrecarregadas.

Câmara fotográfica digital ou câmara fotográfica de um telemóvel

As crianças podem usar uma câmara fotográfica digital ou de um telemóvel para capturar momentos, objetos ou cenas do seu ambiente. Trabalhar com câmaras fotográficas descartáveis e explorar como as fotografias eram tiradas antes da tecnologia digital ajuda as crianças a compreender como os meios de comunicação evoluíram. Essas atividades não apenas introduzem os conceitos básicos da fotografia, mas também incentivam as crianças a pensar sobre perspectiva, enquadramento e seleção de momentos significativos. Ao comparar fotos digitais com desenhos à mão, as crianças desenvolvem uma apreciação pelas diferentes maneiras de capturar e interpretar a realidade, aprimorando seu senso crítico de meios de comunicação desde cedo.

Confira esta introdução à fotografia para o jardim de infância para ter apoio

Gravadores de voz

Os gravadores de voz permitem que as crianças gravem seus pensamentos, histórias ou os sons ao seu redor, promovendo a auto expressão e as habilidades de observação. As crianças podem gravar-se a si mesmas ou aos seus colegas, ouvir a gravação e discutir o que ouviram, percebendo diferenças na voz, no tom e nos estilos de narração. Essa prática não só desenvolve habilidades linguísticas, como também proporciona uma visão crítica da tecnologia de áudio como forma de documentar e interpretar experiências.

Impressoras portáteis

As impressoras portáteis podem transformar instantaneamente fotos digitais em impressões tangíveis, preenchendo a lacuna entre o meio digital e a concretização física da imagem. Essa ferramenta pode ajudar as crianças a entender como as imagens digitais podem ser convertidas em forma física, oferecendo-lhes uma nova maneira de compartilhar e interagir com o mundo ao seu redor. Ver uma imagem digital ganhar forma física ajuda a reconhecer as escolhas envolvidas no uso da tecnologia para comunicar e preservar ideias.

Aplicativos móveis simples para criatividade e narrativa

Alguns aplicativos móveis oferecem diversas oportunidades para estimular a criatividade, mesmo com crianças pequenas. Aplicativos de desenho, animação stop-motion ou gravação de som proporcionam às crianças maneiras acessíveis de experimentar e criar. Aplicativos de stop-motion, por exemplo, permitem que as crianças animem seus brinquedos ou desenhos, ensinando-as sobre sequenciamento e narrativa. Da mesma forma, aplicativos de desenho podem servir como telas digitais, permitindo que as crianças brinquem com cores, texturas e design sem a necessidade de materiais de arte.

Confira o link para mais informações

Cada uma dessas ferramentas pode ser apresentada de forma a enfatizar o uso intencional e o envolvimento consciente. Os professores podem orientar as crianças a fazer perguntas como: “Por que estamos a usar uma câmara fotográfica para fazer isto?” ou “Qual a diferença entre uma voz gravada e a minha voz ao vivo?”. Com o tempo, essas experiências promovem uma compreensão equilibrada da tecnologia, ensinando as crianças não apenas a usar as ferramentas digitais, mas também a pensar criticamente sobre elas e seu impacto.

Em conclusão, as ferramentas digitais na educação infantil têm um duplo propósito: equipam as crianças com habilidades tecnológicas básicas e, ao mesmo tempo, incentivam uma abordagem reflexiva em relação à tecnologia. Ao introduzir ferramentas digitais simples e práticas, como fotografia e gravação de voz, os professores podem cultivar uma perspectiva ponderada sobre o uso da tecnologia, capacitando as crianças para uma utilização mais informada, e poderem ser curiosas e críticas dos meios digitais à medida que crescem. Pode-se até dizer que aprender a usar ferramentas é secundário na educação em tecnologia digital em geral, e que pensar e falar sobre tecnologia (às vezes sem precisar usá-la) pode proporcionar atitudes e comportamentos importantes para proteger as crianças e suas famílias.

2.5 Como utilizar as atividades

Atividades introdutórias

As atividades costumam ganhar mais significado quando estão interligadas. Se usar uma atividade e a dividir em várias sessões ou combinar diferentes atividades, ajude as crianças a reconhecerem essas conexões. Isso pode fortalecer o seu envolvimento nelas e destacar as relações entre a consciência ambiental, a educação digital e o pensamento crítico colaborativo.

Sinta-se à vontade para usar as atividades como apresentadas, combinar elementos de diferentes atividades ou adaptá-las ao seu próprio contexto educacional e estilo de ensino.

  • Póster das diferentes sessões Crie um póster que se desenvolva ao longo do programa que planeou para ajudar as crianças a perceberem a continuidade entre as atividades. Por exemplo, pode usar uma lagarta e usar o formato de um segmento para cada sessão. No final de cada sessão, as crianças podem adicionar um desenho ou imagem representando o que vivenciaram. Revisitar o póster no início de cada sessão incentiva a reflexão, apoia a participação das crianças e ajuda a criar algo que se estenda por todas as atividades.
  • Aborde uma questão levantada pelas crianças para fornecer uma importante sensação de continuidade entre as sessões e um fio condutor coerente entre elas. As sessões começam com a leitura de um livro infantil que represente a essência do projeto, a fim de recolher perguntas pertinentes. Com a ajuda das crianças, selecione uma dessas perguntas para garantir a continuidade e a unidade entre as diferentes atividades.
  • Revisar e rever Revisar e rever deliberadamente o material e a documentação anteriores, incorporando registros de reuniões e sessões anteriores, permitindo que as crianças revisitem observações prévias e seus próprios trabalhos (fotos, desenhos, colagens e material coletado) e ampliem a reflexão compartilhada ao longo do tempo.
Exemplo ilustrativo de um póster em forma de lagarta, com um desenho ou imagem no segmento de cada sessão concluída e segmentos vazios para sessões futuras
Exemplo ilustrativo: um póster que cresce um segmento por sessão permite às crianças ver o fio condutor que percorre todo o programa.

Consulte nosso Relatório de Boas Práticas para obter mais orientações.

Explorar o portefólio de atividades

3 Guia para um Diálogo Centrado na Criança

3.1 Introdução ao diálogo centrado na criança

Por vezes, os educadores dos jardins de infância podem sentir necessidade de sugestões para melhorar a sua forma de promover o diálogo e as conversas que incentivam as crianças a expressar as suas opiniões. É útil ter exemplos de diferentes perguntas que podem ser utilizadas em diálogos colaborativos, pois isso ajuda a variar a forma como as perguntas são usadas para estimular o diálogo. Essa variação pode aumentar a participação das crianças, uma vez que intensifica o impacto pedagógico do questionamento no desenvolvimento do pensamento.

Estas perguntas orientadoras foram elaboradas para auxiliar os educadores no início e durante as atividades. Elas devem ser selecionadas e utilizadas conforme a necessidade, e não são listadas para serem todas usadas em todas as sessões. Além disso, também adicionamos um conjunto de perguntas para orientar o diálogo, proporcionando um final para as atividades e reforçar a metacognição.

É importante não exagerar nos momentos de diálogo e procurar manter sua pertinência e significado em relação à atividade. Além disso, as perguntas têm o objetivo de apoiar o educador e não devem ser respondidas em todos os diálogos da sala de aula.

Antes da atividade

Abertura e compreensão partilhada

O que acham que podemos fazer?

Durante a atividade

Foco e reconexão

O que fizemos até agora?

Depois da atividade

Reflexão e metacognição

Se pudéssemos fazer tudo de novo, o que podíamos fazer diferente?

Os três conjuntos de perguntas acompanham o ritmo de uma atividade: abri-la, manter o foco enquanto decorre e refletir sobre ela no final.

Os três conjuntos de perguntas têm como objetivo promover o foco e o envolvimento nas atividades, destacar as escolhas principais e estimular a reflexão sobre as práticas, podendo também ser usadas individualmente sempre que o educador julgar conveniente.

Perguntas para promover o início de uma atividade

O diálogo inicial de uma atividade também reflete os hábitos de diálogo na sala de aula em geral e ajuda os educadores a avaliar como o diálogo é conduzido na sua turma. Se houver perguntas gerais, é bom anotá-las num local visível para todas as crianças.

Isso permite uma reflexão posterior ao final da atividade ou verificar se as perguntas iniciais foram respondidas durante o desenvolvimento da atividade. Certifique-se de dar tempo suficiente para as crianças responderem, pois os adultos geralmente são mais rápidos e às vezes esquecem-se de dar tempo para que as crianças pensem e respondam com suas próprias palavras.

  1. Têm alguma pergunta?
  2. Há alguém que não entendeu a proposta?
  3. O que querem fazer?
  4. O que acham que podemos fazer?
  5. Já fizeram algo de parecido?
  6. Acham que teremos algum problema?
  7. Qual será o momento mais divertido?
  8. Qual será a coisa mais difícil de fazer?
  9. Quanto tempo acham que levará para fazer tudo?
  10. Quais são as partes que precisamos fazer em grupo e quais precisamos fazer individualmente?

Perguntas para promover o diálogo numa atividade

Essas perguntas orientadoras podem ser usadas durante as atividades, para reconectar o grupo quando uma atividade que se estende por vários dias ou quando as crianças se deparam com um problema que oferece oportunidades importantes de aprendizagem e para discussões adicionais.

  1. O que fizemos até agora?
  2. Existe algo que seja difícil de entender?
  3. O que querem fazer de seguida?
  4. Devemos começar a trabalhar imediatamente?
  5. Como explicaremos a alguém de outra turma o que estamos a fazer?
  6. Acham que tivemos algum problema?
  7. Quais serão os momentos ainda mais divertidos?
  8. Qual foi a coisa mais difícil que fizemos até agora?
  9. Houve algo que nos fez rir até agora?
  10. Quando é que precisamos da ajuda de outras pessoas?

Perguntas para promover práticas de autorreflexão após uma atividade

Promover o diálogo ao final de uma atividade reforça as metacognição e ajuda as crianças a verbalizarem o que aconteceu durante a atividade. Este é talvez um dos momentos mais importantes do diálogo, pois pode reforçar a transferência de aprendizagens para outras atividades e outros momentos da vida das crianças.

  1. Se pudéssemos fazer tudo de novo, o que podíamos fazer diferente?
  2. Alguém gostaria de repetir alguma coisa?
  3. O que querem fazer agora?
  4. Como devemos mostrar aos outros o que fizemos?
  5. Isso dá-te ideias de novas coisas para fazer?
  6. Como podemos explicar isso para que outros também possam fazer o mesmo, se quiserem?
  7. Qual foi a parte mais divertida?
  8. O que era o mais aborrecido?
  9. Você acha que somos mais amigos depois disso? Porquê?
  10. Quais as partes conseguem fazer sozinhos em casa ou com os vossos pais?